Coaripolis

sábado, dezembro 04, 2004

Operação Cavalo de Tróia I

O advento da rodovia Belém-Brasília tirou a Amazônia do isolamento terrestre. E por ela entraram os conceitos de modernização para desenvolver a região nos anos 60, hoje claramente avaliados como equivocados. Interessante notar, entretanto, que a busca para um melhor destino para a Amazônia ainda parece distante. Os dados sobre a região estão na mesa, mas são analisados sob uma ótica individual. A floresta, as comunidades indígenas, os animais, os rios e o homem dos povoados, parecem os fragmentos de um quebra-cabeça sobre um tabuleiro, aguardando um encaixe ideal, ainda não encontrado.
As mudanças que pretendiam a modernização foram sendo implantadas sem que a sociedade, a princípio, se apercebesse disso. Primeiro, veio a operação desmonte, como demolição de estradas de ferro, a construção da Transamazônica e o avanço do desmatamento. Florestas densas, com plantas e animais que ainda não haviam sido sequer inventariado, foram substituídas por pastagem sem futuro. Depois, chegaram os megaprojetos de colonização. Como a redenção poderia vir sob forma industrializada, surgiram a Zona Franca de Manaus e alguns pólos metalúrgicos, como os de Carajás e de Barcarena. A exploração madeireira foi incentivada e expandida.
Todos os setores da sociedade, hoje, apontam para uma resposta de consenso. A origem exógena deste modelo de desenvolvimento autoritário, que ainda persiste, ignorando a sociedade local e esquecendo que o desenvolvimento deve vislumbrar a melhora da qualidade de vida do homem e do ambiente em que este vive, foi a responsável pelo fracasso.