Coaripolis

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Brinquedo de papel
Na minha adolescência a brincadeira que mais me divertia, seduzia era empinar papagaio de papel. Sabia todos os modos de como levantar, flexar e cortar a linha de outros que se colocavam a disposição para a mesma brincadeira.

Também aprendi a confeccionar o brinquedo. Ir na estrada atrás da palha do buritizeiro para tirar a tala, raspar, acertar as pontas, fazer os trançados para armar as formas e por último cortar e colar o papel.

Bom mesmo era ver sua arte ir para o ar.

Atualmente o céu coariense se encontra colorido por esses brinquedos que tanto diverte os adolescentes e jovens. São vários os modelos e cores que atraem a garotada, de listras (verticais e horizontais), de espinhos, de agá, de cruz e os com escudos do time predileto.

Quando um corta a linha do outro, lá embaixa já se encontra um exército disposto a fazer qualquer coisa e a todo custo para ter o troféu em suas mãos, sim senhor, pegar um papagaio que é cortado e vem rebolado pelo vento é como ganhar um prêmio.

A outra parte que exige ciência e arte nessa brincadeira é o serol. Saber o vidro certo, a cola própria e como passar o serol depois de pronto na linha, se passar da ponra para o carretel, o corte deve ser na colhida, se é o contrário, do carretel para a ponta, o corte se dar descaindo a linha sobre a linha do outro.

Como tudo na vida tem seus riscos, a linha com serol não corta só linhas, corta também pele. Foram inúmeros os cortes nas minhas mãos, tive sorte de não ter nenhum em profundidade. Lembro que uma linha com serol cortou a boca de um senhor no meu tempo de papagaieiro. Domingo as rádios anunciavam que uma linha com serol fez um corte na garganta de uma jovem.



É preciso tomar cuidados e escolher locais isolados para empinar e se divertir a vontade sem ferir as pessoas. Porém é preciso motivar a arte que se faz brincando.


Já houve um tempo em que na praia da cidade acontecia o campeonato de papagaios de papel, havia prêmios para o maior, o menor, o mais bonito e aquele que cortasse mais. Infelizmente hoje essa brincadeira-arte que tão bem expressa um modo barato de se divertir está relegada aqueles que encontram nela uma das poucas atividades de lazer em Coari!